Com o início de um grande evento esportivo internacional nesta semana, as ruas de Bangladesh estão tomadas por bandeiras nacionais coloridas.
O detalhe curioso é que essas bandeiras representam exclusivamente nações estrangeiras. Bangladesh, lar de 170 milhões de pessoas, não se classificou para a Copa do Mundo de 2026, mas o país do sul da Ásia abriga alguns dos torcedores mais fervorosos do Brasil e da Argentina no mundo.
Desde maio, torcedores competem para ver quem exibe as maiores bandeiras dos dois rivais.
Fora das áreas residenciais, surgiram recortes gigantes de Lionel Messi, e fãs lotam mercados esportivos no bairro nobre de Gulshan, em Daca, para comprar réplicas de camisas por cerca de 500 taka (aproximadamente 3 libras).
A origem da paixão e os riscos da rivalidade
A afeição pelas duas nações latino-americanas, apesar da falta de laços geográficos ou políticos, é geracional. No início deste mês, dezenas de pessoas ficaram feridas em confrontos entre torcedores em Habiganj.
Em Shariatpur, jovens declararam que não se casarão até que o Brasil conquiste o troféu que não vence desde 2002.
Outras nações também despertam interesse. Amjad Hossian, de 72 anos, ganhou destaque ao exibir uma bandeira da Alemanha de 7,5 km, feita após vender parte de suas terras.
Seu sonho, segundo o jornal Prothom Alo, é que a bandeira seja exposta em um museu alemão. A Noruega, que retorna à Copa após 28 anos, também tenta atrair o apoio dos bengaleses.
A história dessa paixão começou no século 19, quando o futebol foi introduzido em Calcutá pelos colonizadores britânicos. Nos anos 60 e 70, durante turbulências políticas, a juventude encontrou esperança em ídolos como Pelé.
Nos anos 80, com a popularização da TV, a Copa de 1986 consolidou Maradona como um símbolo de vitória contra o poder colonial.
A rivalidade, porém, tem um lado sombrio:
- Um estudo apontou que 23 pessoas morreram em 2022 devido a confrontos entre grupos rivais.
- Em 2014, pelo menos três pessoas morreram ao pendurar bandeiras em fiações elétricas.
- Em 2018, um menino de 12 anos morreu eletrocutado ao instalar uma bandeira do Brasil.
Fonte: The Independent



