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Economia

Bolsa do Japão rompe 70 mil ienes e acende alerta de bolha

A marca intradiária do Nikkei chega aos inéditos 70 mil ienes. Por outro lado, cresce a preocupação com uma nova ‘bolha’.

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Redação

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Passagens aéreas no Japão - Alfainter
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Recorde histórico da bolsa: alta de 10 mil ienes em dois meses. Pode ser indicativo de nova ‘bolha’
Imagem ilustrativa da Bolsa de Tóquio quando bateu a marca intradiária de 70 mil (PM)

O índice Nikkei ultrapassou a marca intradiária dos 70 mil ienes pela primeira vez na história: alta de 10 mil ienes em menos de dois meses. Será que essa rápida valorização do mercado de ações indica uma nova “bolha”? Especialistas respondem.

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Na segunda-feira (15), essa inédita marca intradiária de 70 mil durante a tarde mostrou uma trajetória rápida de valorização. Durante a manhã, as compras e vendas estavam mistas, resultando em pequenas oscilações de preço.

No entanto, a ausência de surpresas quanto a novos aumentos nas taxas de juros na reunião de política monetária do Banco do Japão trouxe alívio ao mercado, e o índice disparou.

Indicativo de bolha econômica?

Primeiramente, o preço das ações ultrapassou a marca de 50 mil ienes pela primeira vez na história em outubro passado. Continuou a subir, ultrapassando 60 mil ienes seis meses depois, em abril. Isso significa que subiu mais de 20 mil ienes em menos de um ano.

Movimento do índice Nikkei em 1 ano
Movimento do índice Nikkei em 1 ano (Google Finance)

O principal fator por trás dessa rápida alta é a inteligência artificial (IA) e os semicondutores. O forte aumento no valor de algumas ações está impulsionando o mercado como um todo.

Alguns apontam que isso é semelhante à “bolha da tecnologia da informação” que ocorreu nos EUA na década de 2000. 

Diferente da bolha que estourou na década de 1990 no Japão

Masahiro Ichikawa, Estrategista-Chefe de Mercado da Sumitomo Mitsui DS Asset Management, explicou para a JNN.

“Especialmente para empresas americanas de IA e semicondutores, e outras relacionadas no Japão, este não é um movimento de bolha, mas sim uma alta no preço das ações sustentada por sólidas previsões de lucros“, disse.

Ele destaca que a demanda por IA e semicondutores está, na verdade, aumentando, portanto, é um “boom, não uma bolha“.

Por outro lado, alguns especialistas estão soando o alarme sobre o futuro.

Tomoichiro Kubota, Analista-Chefe de Mercado da Matsui Securities, faz uma análise diferente: “No futuro, muitos investidores podem perceber isso (a alta das ações de IA e semicondutores) e aumentar ainda mais suas compras, potencializando, fazendo com que os preços das ações subam a uma velocidade superior aos lucros reais. Embora não seja uma bolha neste momento, a possibilidade de se tornar uma está aumentando“.

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Questionado sobre qual a probabilidade para que isso se torne uma “bolha”, ele respondeu: “Vem subindo para o patamar de cerca de 60% a 70%. Os investidores estão tendendo a se concentrar em ações relacionadas à IA, que estão em alta, e essa dificuldade em investir em outras ações pode, na verdade, alimentar a bolha da IA“.

O que foi a bolha da década de 1980 no Japão

Desespero total na bolsa japonesa entre 1990 a 1992
Desespero total na bolsa japonesa entre 1990 a 1992 (IA)

A bolha econômica japonesa da década de 1980 foi um período de supervalorização extrema de ativos (ações e imóveis), impulsionado pelo Acordo do Plaza (1985) e crédito fácil.

O colapso financeiro subsequente, iniciado em 1990, arrastou o país para décadas de estagnação e deflação, um período amplamente conhecido como a década perdida

Esse Acordo do Plaza foi para conter o déficit comercial dos EUA; as principais potências concordaram em desvalorizar o dólar, o que fez o iene disparar. O Banco Central do Japão (BoJ) reduziu drasticamente as taxas de juros.

O auge da bolha foi em 1989, quando o índice Nikkei chegou ao pico de 40 mil ienes. Para tentar controlar os preços exorbitantes, o Banco Central japonês elevou bruscamente as taxas de juros a partir do final de 1989.

Isso estourou a bolha, a bolsa derreteu e chegou a perder metade de seu valor até 1992. Os preços dos imóveis despencaram, os bancos entraram em crise e seguiram anos de crescimento nulo e deflação.

Fontes: JNN e Google Finance

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