O Banco do Japão (BOJ), pressionado pela inflação persistente e pela fraqueza do iene, elevou a taxa de juros para 1%, o nível mais alto desde 1995.
A decisão, considerada um “fato consumado” por analistas devido à impaciência do mercado, foi tomada em uma reunião de dois dias encerrada nesta terça-feira (16).
O comitê votou pelo aumento da taxa de juros de curto prazo — a taxa de call overnight sem garantia — de 0,75% para 1%. Este é o primeiro aumento desde dezembro de 2025.
A instabilidade no Oriente Médio trouxe urgência à política monetária, com a alta nos preços do petróleo agravando a inflação e gerando a percepção de que o banco central estava atrasado em suas medidas.
O iene tem operado em patamares baixos, ameaçando romper a marca de ¥160 por dólar, nível visto por investidores como uma “linha vermelha” para intervenções.
Antes da reunião, a moeda era negociada a cerca de ¥160,1 por dólar. Embora EUA e Irã tenham alcançado um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz, a estabilidade na região permanece incerta.
Mudanças na liderança e estratégia de mercado
O governador do BOJ, Kazuo Ueda, esteve ausente da reunião devido a uma internação por infecção de cisto hepático. A decisão foi tomada pelos oito membros presentes, sob a presidência do vice-governador Ryozo Himino. O vice-governador Shinichi Uchida conduzirá a coletiva de imprensa oficial.
Além da taxa, o banco decidiu pausar a redução (tapering) das compras de títulos do governo japonês a partir de abril de 2027, priorizando a estabilidade do mercado. Desde agosto de 2024, o banco reduzia as compras para permitir que as taxas de longo prazo fossem guiadas pelo mercado, mantendo os rendimentos entre 0% e 1% por anos.
- O banco comprava cerca de ¥6 trilhões em títulos mensalmente antes do ajuste.
- O plano original previa redução de ¥400 bilhões por trimestre.
- A partir de abril deste ano, o ritmo foi alterado para ¥200 bilhões por trimestre até março de 2027.
Os rendimentos dos títulos de longo prazo subiram nos últimos meses devido a temores inflacionários e preocupações fiscais. Em 18 de maio, o rendimento do título de 10 anos atingiu 2,8%, o maior patamar desde 1996, segundo dados da Bloomberg.
Fonte: JT



