O confronto entre Brasil e Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo, na segunda-feira (29), em Houston, nos EUA, traz a oportunidade de revanche para o elenco de Carlo Ancelotti.
O jogo serve como um teste crucial para medir a evolução da equipe desde o colapso em Tóquio, ocorrido no início de sua gestão.
Em outubro de 2025, a equipe pentacampeã mundial foi derrotada pelo Japão por 3 a 2 em um amistoso, após abrir 2 a 0 no placar. Naquela ocasião, o Brasil sofreu três gols em menos de 20 minutos, permitindo que os anfitriões conquistassem sua primeira vitória sobre os brasileiros em 14 encontros. Esse episódio foi um lembrete do desafio que Ancelotti herdou ao deixar o Real Madrid, com apenas um ano para transformar um time desarticulado em um candidato ao título mundial.
O Brasil atravessava um momento instável com a chegada do italiano, prestes a concluir sua pior campanha nas eliminatórias sul-americanas, terminando em quinto lugar após ser comandado por quatro técnicos diferentes.
Com apenas cinco janelas internacionais antes de definir sua lista de 26 convocados, Ancelotti utilizou as três últimas para ampliar os horizontes da equipe, enfrentando adversários da Ásia, Europa e África.
A evolução sob o comando de Ancelotti
A perna asiática começou bem, com o Brasil goleando a Coreia do Sul por 5 a 0 em Seul, e parecia caminhar para outra vitória confortável em Tóquio após abrir 2 a 0 em pouco mais de meia hora. No entanto, o Japão reagiu no segundo tempo, deixando o Brasil com uma lembrança amarga. O cenário em Houston, contudo, será diferente.
“Talvez eles estejam ainda mais motivados”, afirmou o técnico do Japão, Hajime Moriyasu, após o empate de 1 a 1 com a Suécia, que garantiu o segundo lugar no Grupo F, atrás da Holanda. “Vamos jogar contra um Brasil muito determinado a vencer. Estou ansioso por isso.”
O Japão chegará bastante modificado em relação ao time que surpreendeu o Brasil, com lesões tirando de Hajime Moriyasu nomes como o capitão Wataru Endo, os alas Kaoru Mitoma e Takefusa Kubo, e o atacante Takumi Minamino, autor de um dos gols na vitória de outubro.
O Brasil também apresenta mudanças: a defesa que iniciou em Tóquio desapareceu da convocação de Ancelotti, e o time melhorou após o empate de 1 a 1 contra o Marrocos na estreia.
Vitórias consecutivas elevaram o moral, com Vinicius Jr marcando quatro gols e Neymar retornando à seleção após três anos afastado por lesões persistentes.
“Não somos perfeitos”, disse Ancelotti após a vitória por 3 a 0 sobre a Escócia. “Podemos melhorar, por exemplo, nosso ritmo com a bola. Mas estou satisfeito porque o time evoluiu muito desde a primeira partida. Agora é mata-mata e precisamos mostrar garra.”
O peso da história e a conexão com Zico
O duelo carrega um fio histórico profundo. O Brasil é, há muito tempo, uma referência para o futebol japonês, uma relação personificada por Zico.
Após o sucesso no Flamengo, Udinese e Brasil, ele saiu da aposentadoria para jogar pelo Sumitomo Metal, mais tarde Kashima Antlers, de 1991 a 1994, ajudando a moldar o futebol profissional japonês.
Ele também treinou o Japão de 2002 a 2006, conquistando a Copa da Ásia de 2004 e guiando o país à Copa do Mundo de 2006, onde o Brasil venceu por 4 a 1 na fase de grupos, selando a eliminação japonesa.
Ambas as seleções têm contas antigas para acertar em Houston.
A partida será disputada na segunda-feira (29), às 14h no horário de Brasília, e na madrugada de terça-feira (30), às 2h no Japão.
Fonte: JT



