O ex-presidente da Nissan Motor, Carlos Ghosn, afirmou que a montadora japonesa vive um “estado de emergência” e indicou que estaria disposto a retornar ao comando da empresa como CEO.
Em entrevista a um veículo de notícias internacional, Ghosn disse perceber a raiva e frustração de parte dos acionistas, incluindo investidores que defendem sua volta à liderança da Nissan. Segundo ele, as gestões que se sucederam desde sua saída, em 2018, reduziram o valor da companhia e deixaram a empresa sem direção clara.
Ghosn criticou o fato de a Nissan ter passado por três CEOs, cada um com um plano de recuperação, sem que os resultados fossem suficientes para convencer os acionistas de que a administração estava conduzindo bem a empresa.
Ghosn diz que só um CEO com poder real pode salvar a Nissan
Na avaliação do ex-executivo, seria natural que alguns investidores questionassem por que a empresa não deveria trazer de volta a pessoa que, segundo ele, já havia recuperado a Nissan no passado e administrado a companhia por 19 anos.
Ghosn afirmou que o único cargo capaz de salvar a empresa seria o de CEO, porque a função precisaria ser ocupada por alguém com poder real de decisão. Ele defendeu que a Nissan adote medidas ofensivas, voltadas ao crescimento e à retomada da rentabilidade.
O ex-presidente também disse acreditar que seu histórico o torna o perfil mais adequado para liderar uma eventual virada. Segundo ele, essa avaliação não viria de arrogância, mas do fato de já ter conduzido uma recuperação da empresa anteriormente e conhecer a Nissan “por todos os ângulos”.
Ex-presidente também relembrou decisões antes da prisão
Na entrevista, Ghosn também comentou os acontecimentos anteriores à sua prisão e demissão. Ele afirmou que não deveria ter aceitado um novo mandato no conselho da Renault, apoiado pelo governo francês, classificando essa decisão como um grande erro.
Ghosn foi preso no Japão em 2018 e posteriormente deixou o país, passando a viver no exterior. Desde então, segue como uma figura controversa no setor automotivo japonês, enquanto a Nissan enfrenta desafios de gestão, rentabilidade e reposicionamento global.
Fonte: Sankei, NOJ



