As praias de areia do Japão estão encolhendo e podem perder, até o ano 2100, mais de 60% da área existente em 1990, segundo estimativas de especialistas.
Nas décadas do pós-guerra, a erosão foi provocada principalmente pela construção de barragens, retirada de areia dos rios e obras portuárias, que reduziram o volume de sedimentos transportados até a costa.
Nos últimos anos, porém, o avanço do nível do mar causado pelo aquecimento global tornou-se uma preocupação crescente.
Em Hokota (Ibaraki), a prefeitura decidiu não abrir neste verão a praia de Otake, conhecida por sua extensa faixa de areia e chamada de “Gold Coast de Ibaraki”.
A erosão provocada pelas ondas deixou blocos de concreto da estrutura de proteção costeira expostos e tornou o local inseguro para banhistas. Moradores relatam que a praia já foi larga o suficiente para a realização de partidas de beisebol.
O processo de erosão na região começou a ser observado entre as décadas de 1970 e 1980. Barragens e portos impediram que parte da areia dos rios chegasse ao litoral, enquanto a extração do material para uso na construção civil agravou a redução.
Problemas semelhantes são registrados na praia de Chigasaki (Kanagawa) e em Kujukuri (Chiba), onde o governo provincial construiu estruturas artificiais para conter a perda de areia.
Nível do mar pode acelerar o desaparecimento das praias
Uma pesquisa conduzida pela professora Keiko Udo, da Universidade de Tohoku, aponta que a largura média das praias japonesas caiu de aproximadamente 63 metros em 1950 para 43 metros em 1990.
Nesse período, a área total de praias de areia foi reduzida para cerca de 60% do tamanho original.
Embora medidas contra a erosão e o uso de brita no lugar de areia na fabricação de concreto tenham diminuído o ritmo da perda, especialistas alertam que a elevação do nível do mar poderá acelerar novamente o processo.
Mesmo em um cenário no qual o aumento da temperatura global seja mantido abaixo de 2°C em relação ao período pré-industrial, mais de 60% das praias existentes em 1990 poderão desaparecer até 2100. Estimativas indicam que, em 2025, a perda já poderia ter chegado a entre 10% e 30%.
Além de áreas de lazer, as praias funcionam como barreiras naturais que absorvem a energia das ondas e reduzem inundações.
Especialistas defendem que o governo avalie quais áreas devem ser priorizadas, já que proteger igualmente toda a costa seria inviável em termos de custos e infraestrutura.
Fonte: MN



