A chinesa BYD lança nesta terça-feira (28) o Racco, seu primeiro veículo elétrico do tipo kei desenvolvido exclusivamente para o Japão.
O modelo chega em um momento decisivo para a montadora, que enfrenta dificuldades para ampliar as vendas no mercado japonês desde sua entrada no segmento de automóveis de passeio, em 2023.
Entre consumidores e analistas, a principal dúvida é se o preço ficará abaixo de 2 milhões de ienes.
Projetado do zero para atender às normas japonesas dos carros kei, o Racco adota o formato de minivan alta, muito popular no país, além de portas traseiras deslizantes.
A BYD pretende atrair motoristas que usam o automóvel para deslocamentos diários, compras e transporte de familiares, especialmente em áreas rurais e suburbanas, além de famílias que procuram um segundo veículo.
Especialistas afirmam que o preço será determinante para o sucesso do modelo. O Nissan Sakura, um dos principais concorrentes, custa a partir de 2.448.600 ienes.
Entretanto, os carros elétricos da BYD recebem atualmente um subsídio nacional de apenas 150 mil ienes, inferior ao benefício de até 580 mil ienes concedido a determinados modelos japoneses, devido a critérios como rede de concessionárias, manutenção e estabilidade no fornecimento de baterias.
BYD busca reconhecimento no mercado japonês
Analistas avaliam que um preço inferior a 2 milhões de ienes, antes dos subsídios, poderia tornar o Racco competitivo e representar um alerta para as fabricantes japonesas.
Consumidores jovens com menor resistência a produtos chineses e empresas que utilizam veículos em entregas estão entre os públicos com potencial de interesse.
No entanto, a baixa cotação de revenda dos elétricos e a obrigação de manter o automóvel por quatro anos ao utilizar o subsídio governamental podem pesar na decisão de compra.
A BYD pretende receber 10 mil pedidos pelo Racco até o fim de 2026. A empresa vendeu 1.446 veículos no Japão em 2023, 2.223 em 2024 e 3.742 em 2025, somando pouco mais de 7.400 unidades.
Além do preço, o crescimento dependerá da rede de vendas e assistência, que tinha 77 pontos no fim de julho, incluindo 56 concessionárias oficiais.
A entrada da tradicional revendedora Yanase, que passou a comercializar a marca chinesa, poderá contribuir para melhorar sua imagem, mas o impacto nas vendas ainda é incerto.
Nissan, Honda e Suzuki também reforçam suas estratégias no segmento, considerado um dos mercados mais protegidos e competitivos da indústria automobilística japonesa.
Fonte: YH



