A recente onda de calor extremo não está apenas tornando os dias exaustivos, mas também causando um impacto direto e preocupante nas lavouras e granjas.
As altas temperaturas estão alterando o desenvolvimento, o tamanho e a qualidade dos alimentos, o que resulta em um choque amargo para o bolso do consumidor.
Relatos recentes do setor agrícola no Japão expõem uma realidade que ilustra bem as consequências climáticas na produção de alimentos.
Nas plantações, o calor escaldante tem gerado problemas severos para frutas e hortaliças de verão. Nos cultivos de tomate, estufas que deveriam manter 25°C têm ultrapassado os 37°C, causando anomalias físicas nos frutos.
O calor impede que o tomate amadureça por completo (deixando a parte superior verde e reduzindo a doçura) e gera as chamadas “frutas queimadas”. Nesse estado, os frutos amolecem sob o sol, absorvem menos nutrientes e ficam visivelmente menores.
A produção de melões também foi severamente prejudicada: metade não serve para venda porque o calor exagerado não pôde ser contido nas estufas.
Como se não bastasse, o calor extremo faz com que as abelhas responsáveis pela polinização reduzam suas atividades, provocando quedas de até 30% nas colheitas.
Estresse nas poedeiras
Nas granjas, a situação também é alarmante. O estresse térmico afeta as aves de forma implacável, muitas vezes resultando em fatalidades. Tentando se adaptar às altas temperaturas, as galinhas diminuem o consumo de ração diária.
A matemática corporal das aves não perdoa: comendo menos, os ovos produzidos ficam, em média, um tamanho menor do que o padrão. A taxa geral de postura cai drasticamente, espremendo a oferta do produto no mercado.
Aumento de preços: 50% a 80%
Com menos produtos viáveis saindo do campo e das granjas, o impacto chega às prateleiras de forma implacável. Nos supermercados, o encolhimento da oferta e a perda de colheitas forçam o aumento de preços.
Itens básicos de verão, como pepinos e tomates, chegam a sofrer saltos de até 50% em poucas semanas, enquanto folhas e outros vegetais sensíveis podem bater quase 80% de aumento.
A consequência desse clima implacável é uma equação frustrante para o consumidor: paga-se muito mais caro por alimentos menores e que sofrem cada vez mais para resistir ao sol.
Fontes: Nagoya TV e Tokai TV 


