O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam visitar Brasília antes das eleições presidenciais de outubro. A decisão representa mais um episódio de tensão política e diplomática entre os dois países.
Os pedidos foram apresentados em 20 de julho e rejeitados na sexta-feira (24), segundo o Ministério das Relações Exteriores.
Os vistos haviam sido solicitados por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto. O Itamaraty não divulgou oficialmente os motivos da recusa.
De acordo com autoridades brasileiras ouvidas pelo jornal norte-americano The Washington Post, havia indícios de que a missão pretendia colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O Departamento de Estado rejeitou a acusação e afirmou que se tratava de uma visita de rotina para discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão.
Tensão aumenta antes das eleições
Os funcionários norte-americanos planejavam permanecer em Brasília entre segunda-feira (27) e quinta-feira (30), com reuniões previstas com representantes do governo, líderes religiosos e integrantes da sociedade civil.
A disputa presidencial deverá colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, contra o senador Flávio Bolsonaro.
As relações entre os governos se deterioraram após a imposição de tarifas adicionais de até 37,5% sobre milhares de produtos brasileiros.
Washington alega práticas comerciais desleais e falhas no combate ao trabalho forçado, enquanto o governo Lula rejeita as acusações e considera as medidas uma tentativa de interferir nas eleições.
O ex-presidente Jair Bolsonaro, que há anos questiona sem provas as urnas eletrônicas, cumpre em prisão domiciliar uma pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
Fonte: AP



