Os recentes esforços do Japão para manter o diálogo com a Rússia despertaram preocupação entre alguns parceiros europeus antes da cúpula do Grupo dos Sete (G7), que será realizada na França a partir de domingo (15).
A situação evidencia as tensões entre a diplomacia japonesa e a campanha ocidental para isolar Moscou devido à guerra na Ucrânia.
Fontes diplomáticas informaram que vários países europeus questionaram Tóquio sobre os contatos mantidos com a Rússia após o envio, no mês passado, de autoridades do governo japonês e representantes empresariais ao país, apesar das sanções impostas pelo G7.
Altos funcionários dos ministérios japoneses das Relações Exteriores e da Economia, Comércio e Indústria, acompanhados por executivos da Federação Empresarial do Japão, participaram de reuniões com representantes dos ministérios russos do Desenvolvimento Econômico e da Indústria durante uma visita de dois dias iniciada em 26 de maio.
Europa teme enfraquecimento da pressão sobre Moscou
As preocupações refletem o receio de que uma aproximação com a Rússia possa enfraquecer o compromisso do Japão com um Indo-Pacífico “livre e aberto”, baseado no Estado de Direito, além de transmitir uma “mensagem equivocada” à comunidade internacional, segundo um funcionário governamental.
O ministro das Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, defendeu os contatos na semana passada, afirmando que a comunicação continua sendo importante mesmo em períodos de relações tensas. Em março, os chanceleres do G7 reafirmaram o apoio à Ucrânia e prometeram manter a pressão sobre a Rússia por meio de sanções.
O Japão tem apoiado esses esforços. Em 29 de maio, anunciou uma contribuição de US$ 14,7 milhões para uma estrutura liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na qual países-membros compram armamentos fabricados nos Estados Unidos para a Ucrânia, enquanto os recursos japoneses serão destinados à aquisição de equipamentos não letais.
Interesses econômicos e segurança energética influenciam diálogo
O ministro da Economia, Comércio e Indústria, Ryosei Akazawa, afirmou que as conversas tiveram como objetivo proteger os ativos de empresas japonesas que operam na Rússia. Um funcionário do ministério classificou as discussões como “práticas e construtivas”.
Paralelamente, alguns políticos japoneses têm defendido uma melhora nas relações com Moscou devido às preocupações relacionadas à segurança energética.
Muneo Suzuki, deputado da Câmara dos Conselheiros pelo Partido Liberal Democrata (PLD), visitou a Rússia no início de maio e discutiu a possibilidade de retomar as conversas entre os ministros das Relações Exteriores dos dois países.
Segundo Suzuki, autoridades russas afirmaram que avanços dependeriam de medidas concretas do Japão para se afastar do que Moscou considera uma política hostil.
Motegi, por sua vez, declarou que não há atualmente reuniões de nível político planejadas com a Rússia. Durante a cúpula do G7, a primeira-ministra Sanae Takaichi deverá reafirmar o apoio japonês à Ucrânia e tentar reduzir as preocupações europeias sobre a aproximação de Tóquio com Moscou.
Fonte: MN



