O Japão enfrenta um aumento preocupante de golpes envolvendo prestadores de serviços inescrupulosos que exploram problemas domésticos cotidianos.
Um dos exemplos mais graves envolve reparos em painéis de disjuntores elétricos, onde “armadilhas” em buscas na internet facilitam a ação de criminosos.
No final de março de 2025, uma mulher de 67 anos, em Adachi (Tóquio), passou por uma situação angustiante. Após luzes da cozinha e de um cômodo em estilo japonês pararem de funcionar, sua filha, de 40, encontrou rapidamente uma empresa online chamada “Mach Denki Shuri”.
O site prometia atendimento 24 horas e soluções imediatas. Cerca de uma hora após o contato, um técnico chegou ao local.
Segundo o relato da vítima, o homem utilizou um dispositivo de medição que indicou “130 volts”, alegando ser uma leitura anormal e perigosa. Ele exigiu 380 mil ienes pelo serviço. Sob pressão, a mulher entregou 180 mil ienes em espécie e prometeu transferir o restante. Desconfiada, ela lembrou que um reparo anterior no mesmo painel custou apenas 50 mil ienes.
Ação policial e o desmantelamento da quadrilha
A vítima contatou o marido, de 66 anos, que estava no trabalho. Colegas dele suspeitaram da situação e o aconselharam a retornar imediatamente com um funcionário da TEPCO (Tokyo Electric Power Company Holdings Inc.).
O especialista da TEPCO confirmou que uma residência comum não apresenta 130 volts, levando o marido a acionar a polícia. Ao perceber a presença das autoridades, o falso técnico devolveu o dinheiro e fugiu.
Em abril de 2026, quatro homens, com idades entre 21 e 31 anos, foram presos por suspeita de fraude.
Segundo a divisão de contramedidas ao crime organizado do Departamento de Polícia Metropolitana, o grupo é acusado de tentar ou efetivamente extorquir valores entre 100 mil ienes e 520 mil ienes de vítimas na faixa dos 20 aos 50 anos em Tóquio, entre abril e maio de 2025.
Investigações revelaram a extensão do esquema:
- Entre março e junho de 2025, o grupo realizou 246 atendimentos em Tóquio e seis províncias vizinhas na região de Kanto, incluindo Saitama e Kanagawa.
- Estima-se um faturamento ilícito de cerca de 47 milhões de ienes.
- Houve casos em que uma única vítima pagou 1,4 milhão de ienes.
Uma fonte investigativa afirmou que os criminosos não escolhiam alvos específicos, mas esperavam por chamadas, agindo como “uma aranha tecendo sua teia”. Nenhum dos quatro detidos possuía licença de eletricista.
A empresa utilizava anúncios de listagem (listing ads) para aparecer no topo das buscas, o que gerava uma falsa sensação de credibilidade nas vítimas.
O Centro Nacional de Assuntos do Consumidor do Japão reforça que painéis de disjuntores passam por inspeções obrigatórias e gratuitas a cada quatro anos, e que inspetores oficiais nunca oferecem contratos de reparo no momento da visita.
Fonte: MN



