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Por que famílias estão deixando Quioto e escolhendo Shiga para criar os filhos?

Quioto registra uma das maiores quedas do país, enquanto Shiga apresentou aumento, impulsionada por cidades como Ritto, que possui uma das mais altas taxas de fertilidade de Honshu.

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Por que a natalidade cresce em Shiga e cai em Quioto
Por que a natalidade cresce em Shiga e cai em Quioto? (IA)

A taxa de natalidade do Japão caiu para o recorde histórico de 1,14 filho por mulher em 2025, marcando o décimo ano consecutivo de queda. Embora a tendência afete todo o país, algumas regiões apresentam diferenças cada vez mais evidentes.

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A província de Quioto registrou uma das maiores reduções da região de Kansai e hoje figura entre as menores taxas de natalidade do Japão.

Em contraste, a província de Shiga foi a única de Kansai a apresentar aumento. A cidade de Ritto alcançou a maior taxa municipal de fertilidade de Honshu, com índice de 1,92.

A taxa de fertilidade total estima quantos filhos uma mulher teria ao longo da vida. Para manter uma população estável sem depender da imigração, o índice considerado necessário é de aproximadamente 2,07 filhos por mulher.

Moradia cara afasta famílias de Quioto

Pesquisadores que estudam a queda da natalidade apontam que a baixa taxa de Quioto está diretamente ligada às condições do mercado imobiliário.

As rígidas restrições de altura dos edifícios, adotadas para preservar a paisagem histórica da cidade, limitaram a oferta de apartamentos maiores para famílias e elevaram os preços.

Como consequência, imóveis em áreas centrais passaram a atrair compradores de alto poder aquisitivo e investidores estrangeiros.

Moradores relatam dificuldades para criar filhos devido ao alto custo da moradia, transporte público lotado, falta de estacionamentos para bicicletas, ruas estreitas e dificuldades para circular com carrinhos de bebê.

Outro fator apontado pelos especialistas é que muitos estudantes se mudam para Quioto para cursar universidades, mas deixam a cidade após a graduação ou antes de formar família, reduzindo o número de lares com crianças.

O modelo de Ritto em Shiga atrai jovens casais

Para entender o cenário oposto, pesquisadores analisaram Ritto (Shiga). A cidade possui grandes condomínios próximos à estação ferroviária, além de acesso fácil a centros comerciais, serviços e transporte público. Essa combinação tem atraído cada vez mais famílias de dupla renda.

Especialistas afirmam que o antigo modelo suburbano baseado em casas isoladas e distantes das estações foi pensado para uma época em que apenas um dos pais trabalhava fora. Atualmente, famílias valorizam a praticidade do deslocamento diário e a proximidade de serviços essenciais.

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O preço dos imóveis também pesa na decisão. Segundo corretores locais, é possível comprar uma casa próxima a Ritto por cerca de 50 a 55 milhões de ienes, valor considerado mais acessível do que propriedades equivalentes em Quioto.

Terrenos maiores e múltiplas vagas de estacionamento também atraem famílias jovens.

Empregos estáveis ajudam a elevar a natalidade

Empresas imobiliárias afirmam que cerca de 30% dos compradores em alguns empreendimentos da região vieram de Quioto e de outras áreas vizinhas. Muitos bairros são formados predominantemente por famílias com filhos, incluindo lares com três ou mais crianças.

Outro diferencial de Ritto é a oferta de empregos. A cidade atraiu diversas indústrias graças à proximidade com importantes entroncamentos de vias expressas. A presença de fábricas garante empregos estáveis, fator considerado essencial para quem planeja formar ou ampliar a família.

Pesquisadores concluem que a combinação entre moradias próximas ao transporte público, acesso fácil aos grandes centros urbanos e estabilidade econômica pode ser uma fórmula eficiente para estimular a natalidade.

Eles destacam que, para enfrentar a crise demográfica, o Japão pode precisar incentivar a ocupação de municípios mais acessíveis, em vez de concentrar a população em grandes centros urbanos com alto custo de vida.

Fonte: NOJ, KTV

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