As tradicionais casas de banho públicas do Japão, conhecidas como “sento”, enfrentam uma ameaça existencial devido à disparada nos custos de energia. A instabilidade no fornecimento de petróleo, desencadeada por conflitos no Oriente Médio, tem forçado muitos desses estabelecimentos a reduzir o horário de funcionamento ou até mesmo a encerrar suas atividades permanentemente.
O setor já lidava com desafios estruturais, como a diminuição da base de clientes e o envelhecimento dos proprietários sem sucessores. Agora, a alta nos preços do combustível impõe um novo golpe, agravado pelo fato de que as tarifas dos sentos são reguladas por governadores provinciais, o que impede que os operadores repassem os custos adicionais aos usuários.
Um exemplo dessa crise ocorre no Ikesu Onsen, uma casa de banho familiar fundada em 1919 na cidade de Tsushima (Aichi). O local, que historicamente funciona como um ponto de encontro social, precisou atrasar seu horário de abertura em uma hora desde o final de março. A medida foi necessária devido ao fornecimento instável de óleo combustível, que teve a entrega mensal reduzida pela metade, resultando em uma queda de cerca de 10 clientes por dia.
Impacto nacional e regulação de preços
A interrupção no fornecimento de combustível no Japão é reflexo da crise no Oriente Médio, intensificada pelos ataques dos EUA e Israel ao Irã. Esse cenário afetou o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz e elevou os preços globais do petróleo.
O impacto é sentido em todo o país. Na cidade de Aomori (província homônima) o Katsuragi Onsen anunciou que encerrará suas operações no final de maio. Segundo o responsável pelo estabelecimento, os custos crescentes de manutenção das instalações antigas, somados ao preço do combustível, tornaram a operação insustentável.
A dificuldade financeira é exacerbada pelo controle de preços imposto pelos governadores provinciais, uma medida de combate à inflação estabelecida logo após a Segunda Guerra Mundial. Essa regulação deixa os operadores com margem mínima para ajustar suas tarifas frente à realidade econômica atual.