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Por que as máquinas de venda automática estão diminuindo no Japão?

A alta do custo de vida no Japão está forçando operadoras de máquinas de venda automática a reduzir unidades devido à queda na demanda.

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Operadoras reduzem máquinas de venda automática no país
Operadoras reduzem máquinas de venda automática no país (banco de imagens)

As icônicas e onipresentes máquinas de venda automática do Japão enfrentam um ponto de virada significativo, à medida que a inflação e o aumento do custo de vida alteram o comportamento do consumidor em todo o país.

Grandes operadoras, incluindo a DyDo Group Holdings e a Pokka Sapporo Food & Beverage, anunciaram recentemente planos para remover milhares de unidades ou vender operações inteiras para manter a lucratividade.

A força tradicional do setor — vender bebidas a preços de tabela — tornou-se um passivo, já que consumidores mais sensíveis a preços estão abandonando a conveniência das máquinas em favor de opções com desconto encontradas em farmácias e lojas de conveniência.

A queda na demanda é agravada pelo aumento dos custos operacionais associados à manutenção de uma rede tão vasta. Especialistas observam que o aumento do preço do combustível e da mão de obra necessária para reabastecer e realizar a manutenção das máquinas está reduzindo drasticamente as margens de lucro, tornando difícil para as operadoras competirem com o varejo.

Além disso, uma crescente consciência ambiental entre o público incentivou as pessoas a carregarem garrafas reutilizáveis e reabastecê-las em casa, reduzindo a frequência de compras por impulso enquanto estão em trânsito.

Mudança estratégica e futuro do setor

Embora consumidores destaquem que até itens básicos, como água engarrafada, tornaram-se caros demais nas máquinas, analistas do setor sugerem que elas não desaparecerão completamente. Em vez disso, o modelo de negócio está mudando para uma estratégia de posicionamento mais seletiva, em vez do objetivo anterior de saturação total.

Ao focar em áreas de alto tráfego ou locais onde as lojas de conveniência são escassas, as operadoras esperam preservar a acessibilidade única que definiu a vida urbana japonesa por décadas.

Em última análise, a sobrevivência da máquina de venda automática depende de sua capacidade de equilibrar a “conveniência avassaladora” com as realidades econômicas modernas. Embora a variedade de produtos oferecidos permaneça diversa — variando de café em lata a lámen e frutas frescas — o setor precisa inovar para sobreviver à transição de uma mentalidade deflacionária para uma de inflação persistente.

Para muitos residentes, as máquinas permanecem uma necessidade “prática” em áreas remotas, sugerindo que, embora a rede possa encolher e se tornar mais exclusiva, ela continua sendo um componente insubstituível da infraestrutura social do Japão.

Fonte: JT