O Japão estabeleceu uma nova e ambiciosa meta para as vendas de microchips produzidos domesticamente, visando um aumento de oito vezes até 2040 em comparação com os níveis de 2020. Esta iniciativa busca revitalizar uma indústria que já foi líder global.
Na sua era de ouro, na década de 1980, o país asiático detinha cerca de metade da quota do mercado global de semicondutores, segundo dados do governo.
No entanto, desde então, foi superado por Taiwan e outros países, com o desenvolvimento da indústria japonesa de chips sendo prejudicado pela lenta digitalização entre as empresas e pelos atritos comerciais com os Estados Unidos.
A nova estratégia e metas ambiciosas
Atualmente, o Japão detém menos de 10% do mercado global de chips, mas o governo está investindo pesadamente em novas fábricas na tentativa de reverter esse cenário.
Em uma reunião de estratégia realizada na terça-feira (10), a administração da primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou que o objetivo é impulsionar as vendas de chips fabricados no Japão para 15 trilhões de ienes (aproximadamente US$95 bilhões) até 2030, e para impressionantes 40 trilhões de ienes (cerca de US$250 bilhões) até 2040.
A meta para 2040 representa um salto significativo em relação às vendas de aproximadamente 5 trilhões de ienes registradas em 2020, conforme dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Este movimento estratégico é crucial diante do avanço tecnológico.
O poder de computação dos chips aumentou drasticamente à medida que os fabricantes os preenchem com mais componentes eletrônicos microscópicos.
Isso trouxe enormes saltos tecnológicos para tudo, desde smartphones a carros, bem como o advento de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT.
O Japão quer uma fatia dessa ação, com o governo esperando que o mercado global de semicondutores cresça para 190 trilhões de ienes (equivalente a US$1,2 trilhão) até 2035.
Investimentos e parcerias estratégicas
A recém-fundada fabricante japonesa de chips Rapidus está construindo uma fábrica no país para produzir chips de ponta de dois nanômetros, com a produção em massa prevista para 2027.
Além disso, a taiwanesa TSMC, a maior fabricante de chips por contrato do mundo, anunciou no mês passado que produzirá semicondutores avançados de três nanômetros em uma fábrica atualmente em construção no Japão, reforçando a posição do país como um polo de inovação tecnológica.
Globalmente, até o momento, os chips de lógica e memória — o “cérebro” e o “armazenamento de dados” da IA — têm impulsionado a expansão do mercado, afirmou o governo japonês em um documento intitulado “rascunho do roteiro de investimento”.
Mas “o Japão não tem sido capaz de aproveitar esse crescimento suficientemente“, dizia o texto.
“Garantiremos a capacidade de desenvolver e produzir domesticamente semicondutores de ponta e de próxima geração, que serão cruciais para esta era da IA”, afirmou.
Fonte: Economic Times



