Moradores de Moscou e outras grandes cidades russas, como São Petersburgo, estão há mais de uma semana sem acesso à internet, tanto Wi-Fi quanto móvel.
A interrupção, que começou no dia 5 de março, tem forçado a população a recorrer a métodos de comunicação mais antigos, como walkie-talkies, pagers e mapas de papel.
As quatro maiores empresas de telecomunicações do país – MTS, Megafon, Beeline e T2 – foram afetadas pelos apagões, conforme relatado pelo portal de tecnologia Kod Durova.
Fontes da indústria de telecomunicações confirmaram ao jornal diário russo Kommersant que as autoridades solicitaram às operadoras que limitassem o acesso à internet móvel na capital russa.
O retorno da tecnologia analógica
Diante da ausência de conexão, os moscovitas têm buscado alternativas para se comunicar com seus entes queridos.
A varejista Wildberries, uma das maiores da Rússia, registrou um aumento significativo nas vendas de dispositivos analógicos. As vendas de walkie-talkies e telefones fixos cresceram mais de 25%, enquanto a procura por pagers disparou, com um aumento de 73%, segundo informações do Telegraph.
Além disso, a demanda por mapas da cidade e guias de papel de Moscou quase triplicou, evidenciando a necessidade de navegação e orientação sem o auxílio de aplicativos digitais.
A situação atual tem um pano de fundo legal. O Presidente Vladimir Putin assinou uma lei em fevereiro que concede ao Serviço Federal de Segurança (FSB) a autoridade para ordenar o desligamento de serviços de telecomunicações em todo o país.
O apagão nas principais cidades russas ocorreu apenas dois dias depois que essa legislação entrou em vigor, no dia 3 de março, conforme noticiado pelo veículo independente russo Meduza.
Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou em 10 de março, via Telegram, que “todas as desconexões e restrições de comunicação estão ocorrendo em estrita conformidade com a legislação atual”.
Fonte: Independent



