O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã gerou um pedido direto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que aliados, incluindo o Japão, enviem navios de guerra para garantir a liberdade de navegação.
A região é vital para o abastecimento mundial de petróleo, especialmente para a Ásia.
A situação do Japão: entre a dependência e a lei
O Japão está sob forte pressão dos EUA. Trump destacou que o Japão depende do Estreito para 95% de suas importações de petróleo. O governo japonês está considerando seriamente sua resposta antes da cúpula com os Estados Unidos em 19 deste mês, mas enfrenta obstáculos gigantescos:
- Restrições legais: a Constituição pacifista do Japão e a legislação nacional limitam severamente o envio das Forças de Autodefesa (SDF) para operações de combate no exterior.
- Avaliação jurídica: o Japão ainda precisa avaliar a legalidade dos ataques dos EUA ao Irã antes de decidir qualquer nível de cooperação militar.
Quem vai e quem não vai: o mapa diplomático
As respostas ao pedido dos EUA para o envio de navios de guerra variam drasticamente entre os aliados, evidenciando uma falta de consenso global.
1 – Países que devem cooperar ou estão em discussão
- Estados Unidos: lideram as operações militares. Afirmam já ter destruído mais de 100 embarcações iranianas e atacado 7 mil alvos no Irã, incluindo infraestrutura de petróleo e bases de mísseis.
- Reino Unido: o Primeiro-Ministro Starmer confirmou que está “trabalhando com todos os aliados” para desenvolver um plano conjunto viável para restaurar a navegação. O Reino Unido já possui sistemas de detecção de minas na região.
- França: Trump afirmou, após telefonema com o presidente Macron, que “claro que a França cooperará“.
- Coreia do Sul: o gabinete presidencial sul-coreano declarou no domingo (15) que “manteria estreita comunicação com os EUA, analisaria e decidiria cuidadosamente sobre o assunto”, segundo a agência de notícias Yonhap.
2 – Países ou blocos que recusam o envio de navios de guerra
- Alemanha: a posição é nítida. O Chanceler Merz declarou: “Não participaremos desta guerra“. A Alemanha recusou enviar navios ou participar de operações que usem força militar para abrir o Estreito de Ormuz, preferindo focar em apoio econômico interno para lidar com a alta dos combustíveis.
- União Europeia (UE): o Alto Representante da UE indicou que não haverá envio imediato de navios. Embora tenham discutido estender a missão existente no Mar Vermelho para Ormuz, não há intenção de alterar a missão agora. “Esta não é uma guerra europeia“, afirmou.
3 – Situações indefinidas ou tensas
- China: o Ministério das Relações Exteriores não declarou explicitamente se enviará navios, apesar de Trump ter mencionado que a China depende de 90% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz.
- Irã: mantém a posição de combate. O Ministro das Relações Exteriores declarou: “Não estamos buscando um cessar-fogo“, indicando que os ataques continuarão. O paradeiro do Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, é desconhecido após relatos de que estaria gravemente ferido ou morto.
Fonte: NHK, Sankei e NNN



