A Coreia do Norte e a China iniciaram, em janeiro, uma campanha de críticas coordenadas contra o Japão, utilizando o mesmo termo para acusar o país de buscar o “neomilitarismo”.
A estratégia de Pequim visa angariar apoio internacional para sua postura contra Tóquio em meio a um impasse diplomático.
No dia 11 de janeiro, o Rodong Sinmun, porta-voz oficial do Partido dos Trabalhadores da Coreia, mencionou o “neomilitarismo” no Japão em um comentário que criticava o plano de Tóquio de revisar seus três documentos de segurança, incluindo a estratégia nacional de segurança, ainda este ano.
Desde então, Pyongyang tem utilizado o termo repetidamente para denunciar o governo japonês.
O artigo do Rodong Sinmun foi publicado dois dias após o Diário do Povo (People’s Daily), principal jornal do Partido Comunista da China, publicar um comentário sobre assuntos globais sob a manchete: “O neomilitarismo levará o Japão novamente ao abismo”.
Especialistas sugerem que esta foi a primeira vez que o comentário sob o pseudônimo “Zhong Sheng”, que reflete o pensamento da liderança do Partido Comunista, utilizou o termo.
Durante sua visita a Pyongyang no início deste mês, o presidente chinês Xi Jinping expressou oposição a tentativas de “reviver o militarismo” em um banquete de boas-vindas oferecido pelo líder norte-coreano Kim Jong-un, com observações que, acredita-se, visavam o Japão.
Pequim intensificou recentemente as críticas às políticas de fortalecimento de defesa defendidas pela primeira-ministra Sanae Takaichi, em meio à disputa diplomática sobre seus comentários parlamentares sobre Taiwan em novembro passado.
Tensões regionais e a resposta de Tóquio
A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que um ataque da China continental à ilha democrática autogovernada poderia levar a uma resposta das Forças de Autodefesa do Japão em apoio aos Estados Unidos.
Além da Coreia do Norte, Rússia, Paquistão, Mongólia e Mianmar expressaram oposição ao “militarismo” durante cúpulas recentes ou outras reuniões de alto nível com a China.
Em um livro branco sobre sua política diplomática divulgado na quarta-feira (17), a China afirmou que o “militarismo ressurgiu” e representa uma “grave ameaça”, deixando a segurança internacional em um estado precário, em uma crítica velada às políticas de defesa do Japão.
O Japão explicou recentemente sua postura ao Paquistão, após uma declaração conjunta entre Xi e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, no final de maio, opor-se a “quaisquer tentativas do fascismo ou militarismo de retornar”.
Em seu discurso em um fórum de segurança regional em Singapura no final de maio, o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, rejeitou a alegação da China de que o fortalecimento da defesa por Tóquio representa um “novo militarismo”.
Koizumi afirmou que a reputação do Japão como uma nação amante da paz, construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial, não seria prejudicada pelo que chamou de alegações falsas.
- O Japão não possui armas nucleares.
- O Japão não possui bombardeiros estratégicos.
- O país mantém uma postura defensiva estrita.
“Existe um país que possui um enorme arsenal de armas nucleares e bombardeiros estratégicos. O Japão não possui nenhuma dessas armas. E, no entanto, o Japão é rotulado como ‘novo militarismo’. Não é estranho?”, questionou ele, em uma referência aparente à China.
Fonte: MN



