O mercado financeiro global acendeu o sinal de alerta máximo. A moeda japonesa despencou para o patamar de 162,62 ienes por dólar, chegando ao seu pior nível em 39 anos — um recorde negativo que não era visto desde dezembro de 1986.
Para o Japão, este cenário representa uma forte pressão econômica, mas, para as famílias residentes no país e, em especial, para a comunidade brasileira e demais estrangeiros, o impacto é sentido diretamente no bolso.
A desvalorização agressiva do iene impacta o cotidiano de duas formas principais.
1 – Poder de compra severamente impactado
Sendo o Japão um país altamente dependente da importação de energia, combustíveis, plásticos, construção civil e alimentos, a fraqueza da moeda nacional encarece drasticamente esses produtos na origem. O resultado inevitável é o repasse desse custo adicional ao consumidor final. As famílias já começam a enfrentar gôndolas de supermercados mais caras e contas de luz e gás elevadas. No cotidiano, a moeda japonesa está cerca de 1,5 vez mais fraca do que quando estava a 100 ou 110 ienes por dólar, afetando severamente o poder de compra.
2 – O drama das remessas financeiras
Para os mais de 200 mil brasileiros que vivem e trabalham no Japão, enviar dinheiro para o Brasil tornou-se uma tarefa dolorosa. No passado recente, com um iene mais estável e valorizado, enviar o equivalente a um salário mínimo brasileiro — fixado em R$ 1.621 — exigia um esforço financeiro perfeitamente viável. Hoje, para cobrir o mesmo valor em reais, o trabalhador precisa desembolsar uma quantidade muito maior de ienes, reduzindo drasticamente o seu poder de poupança local e adiando planos de investimento ou sustento de familiares no Brasil.
Quando o câmbio era de 111,02 ienes em 3 de julho de 2021, ao enviar 100 mil ienes para os familiares, os destinatários recebiam aproximadamente 4.861,74 reais. Considerando que o salário mínimo da época era de R$ 545,00, o poder de compra era muito maior.
Com o câmbio atual, os mesmos 100 mil ienes valem aproximadamente R$ 3.180,00. A perda é gigantesca.
Intervenção
Embora o Banco do Japão (BoJ) e o Ministério das Finanças tentem intervir no mercado cambial para conter a queda, a força do dólar e a diferença entre as taxas de juros americanas e japonesas continuam empurrando o iene para baixo, exigindo resiliência e um planejamento financeiro muito mais rígido por parte dos trabalhadores estrangeiros.
Fontes: NHK, Google Finance, Wise e Contábeis 


