A rápida disseminação da inteligência artificial (IA) nas salas de aula está transformando como os alunos aprendem e como os professores trabalham, com programas piloto em todo o Japão destacando que a chave não está em depender totalmente da IA, mas em usá-la de forma eficaz.
Em uma escola de ensino ginasial em Sagamihara (Kanagawa), os alunos apresentam desenhos satíricos originais criados com IA, explicando suas ideias aos colegas em um estilo que mistura criatividade com pensamento crítico.
Um contraste marcante com o modelo tradicional de sala de aula onde os alunos somente ouviam passivamente as aulas.
Um aluno do segundo ano lembrou-se da confusão inicial ao ser introduzido à IA, dizendo que foi avassalador ser repentinamente instruído a usá-la, mas acrescentou que, com o tempo, ela se tornou “quase como um amigo”.
O aluno descreveu a IA como um “terceiro professor” ou “terceiro livro didático”, especialmente útil ao buscar explicações mais profundas além das lições padrão.
A Sagamihara Municipal Nakano Junior High School está entre aproximadamente 30 instituições selecionadas como “escolas piloto de IA generativa”, onde esforços estão em andamento para integrar a IA na educação de forma estruturada.
Os benefícios se estendem além dos alunos para os professores também, com um professor de inglês notando uma redução significativa na carga de trabalho, já que a IA agora auxilia em tarefas como gerar respostas para testes de audição, economizando tempo considerável enquanto mantém a precisão.
O uso da IA ajudou a reduzir o excesso de horas extras, que anteriormente ultrapassava 80 horas por mês, permitindo que os professores se concentrem mais na interação direta com os alunos, incluindo oferecer orientação e ouvir suas preocupações — áreas que permanecem além das capacidades da IA.
Desafios e precauções
Ainda assim, os educadores alertam que a IA pode ser uma faca de dois gumes.
Um aluno do terceiro ano apontou que, embora a interação seja importante, há momentos em que os alunos simplesmente pedem respostas e param de pensar mais a fundo.
Umeno, um professor líder supervisionando a integração da IA na escola, enfatizou que a dependência excessiva da IA pode enfraquecer a capacidade dos alunos de pensar de forma independente, alertando que entregar toda a resolução de problemas à IA pode, em última análise, prejudicar o aprendizado.
Ele destacou que o fator crucial é “como ela é usada”, defendendo uma abordagem equilibrada que incentive os alunos a enfrentarem desafios por conta própria enquanto utilizam a IA como uma ferramenta de apoio.
Fonte: NOJ, TBS



