Uma nova tecnologia de vacina, desenvolvida com o auxílio de inteligência artificial, promete oferecer imunidade contra famílias inteiras de vírus, protegendo a população contra futuras mutações em uma única aplicação.
Segundo pesquisadores, o método pode interromper pandemias antes mesmo de começarem, salvando milhões de vidas e evitando a necessidade de novos lockdowns.
A pesquisa aponta que a tecnologia proporciona uma proteção ampla contra milhares de variantes, incluindo vírus como o ebola. O chamado “superantígeno” é criado por meio de aprendizado de máquina, que analisa surtos passados e atuais para determinar as necessidades de sobrevivência dos vírus.
Avanço nos testes clínicos e mudança de paradigma
Um teste pioneiro em humanos demonstrou que a vacina contra coronavírus produzida com essa tecnologia é segura. Mais de 200 pessoas devem participar da fase II do estudo.
Especialistas descrevem o método como uma “grande mudança de paradigma” em relação ao sistema atual, que é considerado “reativo” e tem dificuldades em acompanhar a evolução das doenças.
Atualmente, as vacinas utilizam antígenos de cepas específicas já detectadas em humanos. Em contrapartida, a vacina universal Sarbeco, desenvolvida pela Universidade de Cambridge e pela empresa de biotecnologia DIOSynVax, reúne características comuns a toda a família de vírus.
Para criar o superantígeno, os pesquisadores utilizam todos os dados de sequenciamento genético de coronavírus registrados por programas de vigilância global.
O professor Jonathan Heeney, do laboratório de zoonoses virais do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge, afirmou: “A pandemia de covid-19 nos ensinou a rapidez com que podemos fazer vacinas, mas ainda usamos o paradigma antigo. Trata-se de fazer uma vacina que cubra todos eles com base em suas relações”.
A fase 1 do estudo, publicada no Journal of Infection, incluiu 49 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 50 anos, que receberam a vacina em Cambridge e Southampton.
O imunizante foi administrado como uma vacina de DNA por meio de um jato microfluídico. Este método, livre de agulhas, utiliza um fluxo de líquido de alta pressão, fino como um fio de cabelo, para inserir os planos da vacina diretamente nas células da pele.
Os pesquisadores confirmaram que a aplicação é segura e gera uma resposta imune contra o SARS-CoV-2, o SARS e vírus relacionados de morcegos que poderiam saltar de animais para humanos. Um estudo anterior em animais também mostrou uma resposta imune robusta contra uma gama de coronavírus.
Heeney espera que a tecnologia seja um divisor de águas, tornando as vacinas “muito melhores, mais amplas e com proteção mais robusta”. Além disso, a equipe busca avançar em um imunizante contra a gripe aviária, descrita pelo professor como uma “grande ameaça global”.
Fonte: SKy News



