Uma ampla maioria dos entrevistados em uma pesquisa nacional realizada no Japão é favorável à possibilidade de uma mulher ocupar o Trono do Crisântemo.
O levantamento, realizado por telefone nos dias 25 e 26 de julho pela Kyodo News, apontou que 81,0% apoiam permitir uma imperatriz no Japão, enquanto 16,1% são contrários.
Os resultados foram divulgados no domingo (26) e também reproduzidos por veículos regionais japoneses.
Atual lei permite apenas homens na sucessão
Apesar do elevado apoio registrado na pesquisa, a legislação japonesa continua restringindo a sucessão ao trono aos homens da linhagem masculina da Família Imperial.
O artigo 1º da Lei da Casa Imperial (皇室典範) estabelece que o Trono Imperial deve ser sucedido por um homem pertencente à linhagem masculina imperial, regra também explicada oficialmente pela Agência da Casa Imperial do Japão.
Na prática, mulheres da Família Imperial não fazem parte da atual linha de sucessão.
Entre elas está a princesa Aiko, filha única do imperador Naruhito e da imperatriz Masako. Pelas regras atuais, mesmo sendo filha direta do imperador, ela não pode assumir o trono.
Japão acaba de mudar a Lei da Casa Imperial
O debate ocorre em um momento importante para o futuro da Família Imperial.
O Parlamento japonês aprovou em julho de 2026 uma revisão da Lei da Casa Imperial destinada principalmente a enfrentar a redução do número de integrantes da família.
A nova legislação foi promulgada em 24 de julho e está prevista para entrar em vigor em 24 de outubro de 2026.
Entre as mudanças estão a possibilidade de mulheres da Família Imperial manterem seu status imperial mesmo após o casamento e a criação de mecanismos para incorporar determinados descendentes homens das antigas casas imperiais.
A reforma, porém, não alterou as regras de sucessão ao trono.
Assim, mesmo após a mudança na legislação, a sucessão continua limitada aos homens da linhagem masculina imperial.
Opinião pública e legislação seguem caminhos diferentes
O resultado da pesquisa mostra um contraste entre a legislação atual e a opinião registrada entre os entrevistados.
Enquanto cerca de oito em cada dez participantes disseram apoiar a possibilidade de uma mulher assumir o trono, a recente reforma concentrou-se principalmente em preservar o número de integrantes da Família Imperial, sem modificar as regras de sucessão.
O tema continua sendo um dos pontos mais sensíveis nos debates sobre o futuro da monarquia japonesa, especialmente diante do número limitado de homens atualmente elegíveis para suceder ao trono.
Fontes: Kyodo, Agência da Casa Imperial do Japão, Parlamento do Japão



