O governo japonês traçou um plano ambicioso para revitalizar a indústria naval e dobrar a capacidade de construção de navios até 2035. A meta é elevar a produção anual de cerca de 9 milhões para 18 milhões de toneladas brutas, como parte de uma estratégia ligada à segurança econômica do país.
Mas há um grande obstáculo: faltam trabalhadores.
O roadmap do Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo reconhece que há queda no número de trabalhadores técnicos de chão de fábrica, que a falta de pessoal é urgente e que será necessário garantir mão de obra estrangeira de forma estratégica.
Dependência crescente de trabalhadores estrangeiros
Nos estaleiros, a realidade já mostra uma dependência crescente de trabalhadores estrangeiros. Em alguns locais, segundo a imprensa japonesa, há setores onde praticamente não há japoneses, e as operações não se sustentariam sem mão de obra estrangeira.
O Partido Liberal Democrata (PLD) também informou que o plano prevê investimento público-privado de cerca de 1 trilhão de ienes, além de medidas como automação, formação de técnicos e aceitação de estrangeiros por meio dos sistemas de trabalhador qualificado específico e formação para emprego.
A Teikoku Databank estima que a cadeia de suprimentos da construção naval envolve 18.766 empresas no Japão e movimenta até 3,33 trilhões de ienes por ano.
A mesma análise alerta que, com a meta de dobrar a construção naval, o setor pode enfrentar falta de mais de 10 mil trabalhadores, tornando a produtividade um ponto crítico.
Um dilema para o futuro do Japão
A situação escancara um dilema cada vez mais comum no Japão: o país quer recuperar força em setores estratégicos, mas enfrenta envelhecimento populacional, queda no número de trabalhadores técnicos e dificuldade para atrair jovens japoneses para funções industriais.
Para tentar contornar o problema, o plano do governo inclui investimento em automação, robótica, formação de profissionais e uso de mão de obra estrangeira qualificada.
A pergunta que fica é: até que ponto o futuro da indústria japonesa dependerá dos trabalhadores estrangeiros?
Fonte: Nikkei Business / MLIT



