Brasileira de Aichi pediu seikatsu hogo e ouviu ‘deveria voltar para o Brasil’

Com filhos e dificuldade para viver, a brasileira pediu o seikatsu hogo mas foi negado. Depois, conseguiu com o apoio de pessoas que a ajudaram.

Fachada da Prefeitura de Anjo (divulgação)

Uma nikkei brasileira de 41 anos, cujo nome não foi divulgado, tentou solicitar o programa de assistência social chamado seikatsu hogo, na Prefeitura de Anjo (Aichi), quando ouviu a explicação de que “os estrangeiros não podem recebê-lo”. Também teria ouvido que “deveria voltar para o Brasil”.

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Ela contou com a ajuda de pessoas que a apoiaram e mais tarde acabou conseguindo se inscrever para se beneficiar do seikatsu hogo. “Estou preocupada que outros estrangeiros possam enfrentar o mesmo problema”, disse para o jornal Mainichi.

Sem renda porque marido foi preso

Segundo pessoas envolvidas, a brasileira veio para o Japão há cerca de 10 anos. O marido dela, 42, trabalhava em uma fábrica de autopeças na província, mas perdeu o emprego por causa da epidemia do coronavírus.

Depois disso, conseguiu arubaito mas foi preso por ter sido flagrado dirigindo sem ter carteira de motorista, portanto, a família ficou sem renda

O casal tem filhos de 1 ano e de idade da escola primária, além disso ela não trabalha

A recusa aconteceu no guichê do seikatsu hogo em 1.º de novembro, quando foi acompanhada de uma amiga. Além de ter ouvido que os estrangeiros não têm direito, “se seu marido foi preso vai perder o visto”, ouviu. Ambas as informações são incorretas, mas naquele momento foi o que lhe disseram, além de que ela e os filhos deveriam voltar à terra natal.

Conseguiu seikatsu hogo com ajuda de outras pessoas

Com o apoio de um advogado e de outras pessoas, foi possível inscrevê-la no programa no final de novembro e passou a ser beneficiária. 

A Lei de Assistência Pública estipula que o alvo da proteção são “cidadãos que precisam de meios de subsistência”, mas também se aplica a estrangeiros com status de residência. A mulher brasileira que fez a solicitação tem Zairyu Card.

Durante esse tempo difícil e sem renda, a brasileira alimentou seus filhos com doações de conhecidos. “Tive que diluir o leite duas vezes mais do que o costume”, lamentou.  

Pedido de desculpas do funcionário da prefeitura

Na quinta-feira (22) a brasileira recebeu o primeiro valor do seikatsu hogo e ouviu um pedido de desculpas pelo funcionário da prefeitura. “Eu estava me sentindo psicologicamente abalada e com medo de ir à prefeitura. Gostaria que o estrangeiro fosse visto como ser humano”, disse ela para o jornal.

A reportagem do jornal Mainichi perguntou a uma pessoa da prefeitura sobre o caso. “Como há informações pessoais, não podemos responder”, ouviu.

Fonte: Mainichi Shimbun

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