Na terça-feira (14), o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta severo sobre a economia global, cortando suas projeções de crescimento devido aos picos nos preços da energia e às interrupções no fornecimento causadas pela guerra envolvendo o Irã.
A organização apresentou três cenários distintos — mais fraco, pior e severo — enfatizando que o mundo pode enfrentar uma grande recessão se o conflito se intensificar e os preços do petróleo permanecerem consistentemente acima de US$ 100 por barril até 2027.
Projeções de crescimento e o cenário de referência
No “cenário de referência ‘ mais otimista, que pressupõe um conflito de curta duração, o FMI espera que o crescimento do PIB global atinja 3,1% em 2026, uma ligeira redução em relação às previsões anteriores de janeiro.
Este cenário base assume que os preços do petróleo eventualmente se estabilizarão em torno de US$ 82 por barril.
No entanto, o FMI observou que, sem esta violência geopolítica, a perspectiva teria sido, na verdade, melhorada devido a fortes investimentos em tecnologia e taxas de juros mais baixas.
O “cenário severo” pinta um quadro muito mais sombrio, projetando que um conflito prolongado poderia reduzir o crescimento global para apenas 2%.
Este nível de estagnação econômica ocorreu apenas quatro vezes desde 1980, incluindo durante a crise financeira de 2009 e a pandemia de 2020.
Inflação e resiliência discreta das grandes economias
Tal desaceleração seria provavelmente acompanhada por um aumento da inflação global para mais de 6%, forçando os bancos centrais a apertar agressivamente a política monetária para evitar espirais de salários e preços.
Em termos de grandes economias, os Estados Unidos têm mostrado alguma resiliência, com previsões de crescimento de 2,3% para 2026, impulsionadas por investimentos em centros de dados de IA e cortes de impostos.
Por outro lado, a Zona do Euro enfrenta um impacto mais significativo devido às suas vulnerabilidades energéticas existentes, com o crescimento esperado para permanecer baixo, em torno de 1,1%.
A China também enfrenta uma revisão para baixo, para 4,4%, enquanto luta contra altos custos de commodities e um setor imobiliário deprimido.
O equilíbrio monetário do Japão e a crise dos emergentes
A perspectiva econômica do Japão permanece amplamente inalterada sob a previsão mais benigna, com o crescimento esperado para se manter fraco em 0,7% para 2026 e 0,6% para 2027.
Apesar deste crescimento lento, o FMI observou que espera que o Banco do Japão aumente as taxas de juros a um ritmo ligeiramente mais rápido do que o antecipado seis meses atrás. Este ajuste reflete o complexo equilíbrio que a nação enfrenta em meio às mudanças financeiras globais.
Os mercados emergentes devem ser os mais atingidos, particularmente no Oriente Médio e na Ásia Central, onde danos à infraestrutura e exportações reduzidas podem fazer com que o crescimento regional caia para 1,9%.
Contrastes regionais e as recomendações de política fiscal
Embora a Índia permaneça um raro ponto positivo com uma melhoria na previsão de crescimento para 6,5%, nações como Irã, Catar e Iraque devem ver declínios significativos do PIB no próximo ano, à medida que as consequências diretas do conflito se desenrolam.
Para gerenciar essas pressões, o FMI aconselha os governos a evitar medidas fiscais amplas, como subsídios a combustíveis ou tetos de preços, que poderiam piorar a dívida pública e criar escassez em outros lugares.
O economista-chefe Pierre-Olivier Gourinchas enfatizou que, embora proteger os cidadãos vulneráveis seja essencial, qualquer apoio deve ser estritamente direcionado e temporário para manter as estruturas fiscais necessárias para a estabilidade a longo prazo.
Brasil: projeção de crescimento foi elevada
O Brasil é um exportador líquido de energia e um grande usuário de energia renovável, o que significa que se beneficiará de qualquer alta nos preços do petróleo em 2026.
Para 2026, a projeção de crescimento do Brasil foi elevada para 1,9%, refletindo tanto um desempenho em 2025 mais forte do que o esperado quanto um impulso de curto prazo nos preços da energia decorrente do conflito.
No entanto, a realidade deve se impor em 2027, e a economia poderá desacelerar devido à inflação e aos preços dos fertilizantes.
Fonte: CNA



