A tradicional loja de departamento BHV Marais, localizada no centro de Paris, na França, anunciou na terça-feira (16) o fim da cooperação com a gigante chinesa da moda Shein.
A decisão, segundo relatos da mídia francesa, deve resultar no fechamento da primeira loja física da plataforma de e-commerce no local até o próximo Natal.
A La Société des Grands Magasins (SGM), proprietária do histórico BHV Marais, situado em frente à Prefeitura de Paris e próximo à catedral de Notre-Dame, vendeu o estabelecimento para um grupo de executivos liderado por Karl-Stéphane Cottendin, CEO em saída da empresa.
De acordo com um comunicado oficial, a venda foi realizada com prejuízo.
Karl-Stéphane Cottendin, que defendeu publicamente a abertura da loja da Shein no BHV Marais em novembro passado, admitiu sete meses depois que a decisão foi um “erro estratégico”. Ele afirmou que a Shein deixará o espaço até o Natal.
Impacto do boicote e críticas
Durante o primeiro semestre deste ano, a loja de departamento ficou praticamente deserta, uma vez que diversas marcas optaram por encerrar seus contratos com o BHV em protesto contra a presença da Shein.
Em maio, diante da repercussão de vídeos mostrando os andares vazios nas redes sociais, o presidente da SGM, Frédéric Merlin, justificou o cenário alegando que o espaço passava por obras de renovação.
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, celebrou a saída da marca: “Um BHV que vira as costas para a ultra-fast-fashion é uma excelente notícia“, declarou nas redes sociais. A Shein não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Além da unidade principal, uma segunda loja BHV a oeste de Paris também passará por uma nova gestão. A SGM manterá o controle de outras sete unidades, sendo que cinco delas receberam a Shein este ano.
Desafios legais e sociais
Este episódio marca mais um revés para a Shein no mercado francês. Recentemente, a plataforma foi multada em 22 milhões de euros (US$ 25,5 milhões) pelas autoridades francesas por violar leis de proteção ao consumidor. No total, a França aplicou multas que somam 210 milhões de euros ao grupo no último ano.
A abertura da loja no ano passado gerou forte comoção na sociedade francesa, resultando em:
- Protestos no dia da inauguração;
- Convocação de Frederic Merlin para depor na Assembleia Nacional Francesa em novembro;
- Depoimento no Senado em janeiro.
Críticos na França questionam há tempos as práticas trabalhistas e ambientais da gigante chinesa, além de expressarem preocupação com o impacto da empresa na indústria da moda doméstica.
Fonte: SCMP



