As exportações do Japão registraram crescimento pelo nono mês consecutivo em maio, conforme dados divulgados na quarta-feira (17).
O desempenho foi impulsionado por um iene mais fraco, preços mais altos de commodities e uma demanda sólida por semicondutores, fatores que ajudaram a compensar os impactos negativos das interrupções no fornecimento ligadas ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O boom global da inteligência artificial tem servido como um amortecedor para partes da economia mundial, permitindo que nações dependentes de importações, como o Japão, absorvam o choque imediato no crescimento e no comércio.
O valor total das exportações subiu 17% em relação ao ano anterior em maio, superando a previsão mediana do mercado de 16,2% e seguindo uma alta de 14,8% em abril. No entanto, em termos de volume, o aumento foi de apenas 0,5% no mês passado.
Impactos de preços e demanda tecnológica
Koki Akimoto, economista do Daiwa Institute of Research, destacou que os efeitos dos preços, impulsionados pela fraqueza do iene e pelo aumento dos custos de energia, foram os principais motores tanto das exportações quanto das importações.
“Com o volume geral praticamente sem aumentar, as exportações careceram de força subjacente”, acrescentou.
As exportações de componentes eletrônicos lideraram o crescimento geral, à medida que a forte demanda por IA e data centers elevou os preços de chips de memória e metais não ferrosos. Em maio, as exportações para os Estados Unidos subiram 12,5% em relação ao ano anterior, enquanto as destinadas à China cresceram 17,9%.
Déficit comercial e custos de energia
As importações totais cresceram 12,5% em maio na comparação anual, apesar de uma queda acentuada nos volumes de importação de petróleo bruto, causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, que elevou drasticamente os preços do produto.
As importações de petróleo bruto despencaram 28,5% em valor e 57,3% em volume, com o custo por unidade em ienes atingindo um recorde histórico.
Como resultado, o Japão registrou um déficit comercial de 378,7 bilhões de ienes (US$ 2,36 bilhões) em maio, abaixo da previsão de um déficit de 564,6 bilhões de ienes. Paralelamente, dados sobre pedidos de máquinas essenciais mostraram uma alta de 8,7% em abril, sugerindo que as empresas podem estar começando a aumentar os investimentos.
O Japão, fortemente dependente de energia importada, tem enfrentado custos elevados devido às interrupções nas rotas de suprimento do Oriente Médio. Embora o governo busque diversificar a aquisição de petróleo, os esforços não compensaram totalmente o impacto:
- As importações de petróleo bruto do Oriente Médio caíram 61,9% em volume no mês passado.
- As importações de petróleo bruto dos Estados Unidos subiram 24%.
Embora autoridades dos EUA e do Irã tenham anunciado no domingo (14) um acordo para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, analistas alertam que a normalização total do transporte marítimo levará tempo, citando danos à infraestrutura de processamento de petróleo, riscos de segurança persistentes e a necessidade de restaurar a cobertura de seguros marítimos.
Fonte: JN



