Com a chegada da temporada de chuvas e tufões no Japão, os cuidados não devem se limitar apenas a desastres naturais. Mudanças bruscas no clima, queda da pressão atmosférica e aumento da umidade também podem trazer riscos à saúde, segundo especialistas.
Algumas pessoas relatam piora no bem-estar quando o tempo fecha, com sintomas como dor de cabeça, pressão na região do rosto, sensação de aperto na cabeça e cansaço logo pela manhã.
Esses desconfortos são frequentemente associados às variações de pressão atmosférica, comuns antes e durante a aproximação de tufões.
Mas a atenção deve continuar mesmo depois da passagem do tufão.
De acordo com o médico Yoichiro Hashimoto, conselheiro especial do Centro de AVC do Hospital Saiseikai Kumamoto, os casos de AVC tendem a aumentar nos dias seguintes à passagem de um tufão, especialmente quando a pressão arterial sobe e há risco de rompimento de vasos sanguíneos.
Risco de AVC após tufões
O AVC é dividido principalmente em três tipos: infarto cerebral, hemorragia cerebral e hemorragia subaracnoidea. A doença ocorre quando vasos sanguíneos do cérebro entopem ou se rompem, podendo deixar sequelas graves ou até levar à morte.
No Japão, o AVC aparece entre as principais causas de morte, atrás de câncer, doenças cardíacas e senilidade.
Uma equipe de pesquisa do Instituto de Ciência de Tóquio analisou dados de cerca de 850 mil pacientes internados em emergência por AVC durante a semana posterior à passagem de tufões.
O estudo indicou que o risco geral de AVC aumentou 4,9% após os tufões. No caso de hemorragia cerebral, o aumento foi ainda maior, chegando a 13,1%.
Especialistas recomendam manter o controle da saúde no dia a dia e chamar uma ambulância ao notar sinais incomuns, especialmente quando a pessoa não consegue ir sozinha ao hospital.
Outro problema comum no período chuvoso é o aumento de doenças no ouvido.
Segundo a médica Kaoruko Kuraoka, da Clínica Mashiki, a umidade elevada pode favorecer a proliferação de fungos dentro do ouvido, condição conhecida como otomicoses ou infecção fúngica do canal auditivo externo.
A doença pode causar coceira, secreção, sensação de ouvido tampado e, em alguns casos, perda auditiva.
Fungos no ouvido e uso de fones
De acordo com a médica, em alguns casos é possível observar material esbranquiçado aderido ao canal auditivo, semelhante a mofo, com aspecto úmido ou filamentoso.
Se a infecção se espalhar, há risco de complicações, já que a região do ouvido fica próxima a estruturas importantes. Em situações mais graves, podem ocorrer tontura e inflamações em áreas próximas.
Um dos fatores que aumentam o risco é o uso prolongado de fones de ouvido, aparelhos auditivos ou tampões, pois eles deixam o canal auditivo fechado e dificultam a circulação de ar.
O uso não é proibido, mas especialistas recomendam fazer pausas e deixar o ouvido “respirar”. Para quem usa fones por longos períodos, a orientação é descansar cerca de 10 minutos a cada 1 hora de uso.
Com o avanço da temporada de chuvas e tufões, a recomendação é reforçar os cuidados não apenas com enchentes, deslizamentos e danos materiais, mas também com sinais do corpo.
Dores de cabeça intensas, alterações neurológicas, pressão alta, secreção no ouvido ou perda auditiva devem ser avaliadas por profissionais de saúde.



